quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Os desastres da Serventia (um suspiro sobre A hora da estrela)


A hora da estrela, 88 páginas, é um livro para quem não gosta de Clarice – ou vai descobrir que gosta. Sem fluxos de consciência nem viagens psicológicas, o narrador, Rodrigo S.M., conta com ironia e desprezo a história da migrante nordestina Macabéa, deslumbrada com a vida na cidade grande.

Encontrei a “resenha” acima sobre a novela A hora da estrela (1977) de Clarice Lispector em uma revista cujo slogan é "Inteligência, Atitude, Elegância e Boa vida".

Já tenho calos e casca grossa para as mentiras que leio frequentemente sobre a obra de Clarice, dentro e fora da academia. No que tange A hora da estrela, beiro à indiferença, posto que entre os títulos de Lispector é esse o mais popular – e o mais caluniado.

Porém, eu me senti tão frustrado quanto no direito de dizer o que sei sobre o livro. A minha resenha, sem aspas, é a seguinte:

A hora da estrela, 88 páginas, é um livro de aventura! Uma história simples contada para quem às vezes chora sem motivo aparente e para quem ri sozinho de si mesmo. A autora mistura arte, paixão, segredos, amor, morte e esperança de forma delicada e bruta. Neste livro, cada palavra é uma carta de amor, assim como em todo livro de Lispector. A hora da estrela é a estrada de um alívio. É uma volta sem caminho. E foi feito para aqueles que acreditam em alguma coisa, qualquer coisa, e para quem tem certeza de algo ou tem convicções. Se você acha que está tudo bem, se você é temente a Deus, se você pensa ou sente que sabe algo sobre si mesmo, por favor leia.




Clarice Lispector

P.


ps: "É tão bom viver, não é?"